quarta-feira, 29 de abril de 2026

AGENTES ENCONTRAM R$ 2 MILHÕES EM PIANO NA CASA DE AUDITORA FISCAL


Operação Mare Liberum revelou esquema de propina no Porto do Rio e apreendeu quase R$ 4,5 milhões em dinheiro e bens de servidores da Receita Federal.


Agentes da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal encontraram cerca de R$ 2 milhões em dinheiro escondidos dentro de um piano na casa de uma auditora fiscal, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A descoberta ocorreu durante a Operação Mare Liberum, realizada na terça-feira, 28 de abril de 2026, que investigava um esquema de corrupção envolvendo servidores da Receita Federal no Porto do Rio.


No total, foram apreendidos quase R$ 4,5 milhões em diferentes endereços ligados a funcionários da Receita. Em Niterói, outro auditor mantinha US$ 358 mil em espécie, enquanto em outro local foram encontrados mais US$ 200 mil. Além disso, um despachante possuía 54 garrafas de vinho avaliadas em cerca de R$ 700 cada, e um analista foi preso em flagrante por manter uma arma sem registro em casa.


As investigações apontam que os servidores recebiam propina para liberar irregularmente contêineres de mercadorias, muitas vezes diferentes das declaradas no momento da importação. O esquema teria causado um prejuízo estimado de R$ 500 milhões aos cofres públicos. A Justiça determinou o afastamento de 18 auditores e 7 analistas tributários, além do sequestro de R$ 102 milhões em bens dos investigados.


Segundo a Receita Federal, foram identificadas 17 mil declarações de importação suspeitas entre 2021 e 2026, que agora serão revisadas. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, afirmou que 50 novos servidores serão alocados no Porto do Rio para reforçar o controle e revisar os processos passados.


Entre os investigados está o auditor Pedro Antônio Pereira Thiago, ex-delegado da Receita no Porto do Rio. A operação também atingiu as alfândegas do Aeroporto Internacional do Galeão e a superintendência da Receita no Rio.


Os crimes apurados incluem corrupção, estelionato, associação criminosa, contrabando, descaminho, sonegação e lavagem de dinheiro. A investigação é considerada a maior da história da Corregedoria da Receita Federal e reforça a necessidade de rigor no controle aduaneiro para proteger a economia brasileira contra fraudes e entrada irregular de mercadorias.


 

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