Operação Miragem bloqueou até R$ 670 milhões em bens e apura manipulação de balanços e operações ilegais.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem em 23 de junho de 2026 para investigar o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e valores, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. Segundo a PF, o banco teria manipulado sistematicamente seus balanços contábeis, supervalorizado ativos e criado receitas artificiais de centenas de milhões de reais, além de realizar operações de crédito vedadas e inserir dados falsos em sistemas oficiais do Banco Central.
Macedo assumiu o controle integral do Digimais em 2020, após a reestruturação do antigo Banco Renner, e figura entre os responsáveis pelas decisões estratégicas da instituição. Apesar de residir no exterior, foi incluído no pedido de sequestro e bloqueio de bens. O Digimais declarou estar à disposição para colaborar com as autoridades e reafirmou compromisso com transparência, enquanto a defesa de Macedo afirmou não ter acesso aos autos e preferiu não comentar.
Fundado em 1981 como Banco Renner, em Porto Alegre, o Digimais foi rebatizado em 2020 e passou a atuar como banco digital. Em 2025, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, assumiu como CEO. No início de 2026, o BTG Pactual anunciou acordo para comprar o Digimais, condicionado à aprovação regulatória. Os investigados podem responder por crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos e operações de crédito vedadas.
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